Por Plácido Berci
Há cerca de dois meses, insegurança era o sentimento geral da maioria das mulheres que moram no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Uma onda de estupros e de outros casos referentes à violência sexual contra a mulher estampou capas de jornais e gerou debates em programas de televisão da região. Como de praxe em situações de crimes em série, o suposto responsável pelos crimes ganhou até apelido: o estuprador do Uno vermelho, em referencia ao veículo que ele usava de acordo com o relato das vítimas. Em agosto, cerca de 600 pessoas chegaram a reunir-se para protestar contra o momento de insegurança.
Pouco tempo depois, no dia 16 de setembro deste ano, curiosamente o último registro de um estupro no distrito, um suspeito foi reconhecido por seis mulheres como sendo o tão falado estuprador de Barão Geraldo. Desde então, nenhuma ocorrência. Mas e as mulheres de Barão? Será que passaram a sentir-se seguras? Não é o que diz a estudante de 22 anos, Angélica Albuquerque, moradora de uma república próxima a Unicamp. “Ainda não me sinto nem um pouco segura. Continuo não vendo policiais durante a noite e, além disso, as ruas de Barão são extremamente escuras”, reclamou.
Silmar de Souza trabalha como vigia de uma empresa privada patrulhando Barão Geraldo há 15 anos e diz que já ouviu muitas histórias de crimes desse gênero no distrito. “Um caso que eu me lembro, foi de uma menina que morava aqui perto da Unicamp e procurou a gente desesperada porque um carro estava atrás dela. Isso foi por volta de nove horas da manhã”, lembrou. Quem também já ouviu muitas histórias é outra estudante que também mora sozinha, Graziele Pereira Marques, 23 anos. Ela não confia que o atual trabalho da Policia Militar e da vigilância do distrito, possa passar mais confiança às mulheres. “Nunca presenciei nenhum crime desse tipo, mas já ouvir falar de vários. Só me sinto segura quando os vigias estão na frente de casa, mas quando eu chamo dificilmente eles chegam a tempo. Quanto a policia, eu acho que faltam viaturas patrulhando a área.”
Está seguro sim
Diferente do discurso da estudante, o delegado José Carlos Fernandes, responsável pelo 7º Distrito Policial de Campinas, afirma que depois dos acontecimentos as autoridades tomaram as medidas necessárias para melhorar a segurança das moradoras. “Tanto a Policia Militar, quanto a Guarda Municipal e até a própria Policia Civil, intensificaram o patrulhamento na área e as investigações foram tão bem sucedidas que conseguimos prender um dos estupradores.”
Por fim, o delegado acredita que não há motivo para que as mulheres do distrito continuem com medo. “Acreditamos que elas podem sim se sentir seguras. Só existe um inquérito instaurado no momento, que trata de outro suspeito que também estaria agindo naquela época. As investigações estão avançadas e pelas informações que eu tenho ele já nem está mais aqui em Campinas.”


