quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O vírus da revolução

por Bárbara Bretanha

As novas tecnologias vêm facilitando cada vez mais o ativismo e, embora o caráter aparentemente democrático da internet e dos meios de comunicação social, muitos dos movimentos se tornam “revoluções do sofá” que, de um clique ao outro, acabam por não fazer grandes reivindicações. Alternativas para esses movimentos surgem nas comunidades online que pretendem, mais do que simplesmente protestar um ou outro assunto, formar espaços para a troca de informações e a discussão educada sobre estes assuntos. É o caso do GrrrlVIRUS Brazil, que pretende “espalhar o vírus por todo o país”.

A idéia não é nova: baseado no riot grrrl, movimento frequentemente associado ao feminismo de terceira onda, que teve início em meados de 1990 nos Estados Unidos na cena da música alternativa, o Vírus abrange hoje vários países. De acordo com Susie Quey e Chloe Novaes, fundadoras da comunidade, “Sempre participamos do movimento GrrrlVirus, mas sentimos falta disso em nossa realidade”.

Susie e Chloe explicam também que “vírus” vem de uma declaração feita por Courtney Love, vocalista da banda Hole conhecida por seu casamento com o ícone da música grunge, Kurt Cobain. Love foi participante ativa do riot grrrl que tentava conquistar espaço para as mulheres nas bandas alternativas e também discutir assuntos femininos como o abuso sexual e a ditadura da dieta, tanto através de letras de música como em festivais e zines, revistas de produção independente. Love, que não se considerava feminista, mas incentivava a emancipação da mulher, disse “o VÍRUS me diz do fundo do meu cérebro que posso ser o que eu quiser”, começando assim a infecção.

A proposta é espalhar a mensagem, seja através de zines, grafites, debates ou protestos, incentivando o que as fundadoras chamam de “a criatividade ativista da mulher a favor de si mesma”. Susie e Chloe acreditam que o símbolo pode servir “de gatilho na cabeça das pessoas, as infectando com a idéia de que uma pessoa faz diferença, que ela é capaz, que ela pode fazer suas próprias escolhas quando se trata de seu corpo, que ela pode ser tratada com respeito e se impor em seus direitos”.


E quem participa?

Com apenas dois meses, a comunidade GrrrlVIRUS Brazil já possui 52 membros, dentre eles diversos homens com participação ativa nas discussões e atividades. É o caso de Marcos Makeo, 22 anos, que contribui diariamente para a comunidade. De acordo com ele, a visibilidade é uma coisa positiva. “Em um país em que a mulher não pode nem mostrar o rosto...” comenta, citando como exemplo blog de mulher árabe que publicou fotos nuas, “Pode ser um pequeno passo, mas já é uma mini revolução”.

Já Iaci Oliveira, 23 anos, acredita que a comunidade é importante para vítimas da misoginia e do abuso físico ou sexual, “pode servir de incentivo para quem está sofrendo com o problema de abuso fazer a denúncia”. Iaci foi vítima da violência doméstica na infância e, desde que começou a participar da comunidade, encontrou um espaço para trocar experiências e tentar conscientizar as pessoas do problema da violência contra a mulher no Brasil. Atualmente estudando na Itália, Iaci continua participando “De modo geral, penso que quem participa mais ativamente costumam ser as pessoas que foram lesadas de alguma forma por essa percepção entre os gêneros".


video

Para saber mais sobre a comunidade GrrrlVIRUS Brazil, clique aqui.

0 comentários: